Um Vértice Luminoso
Escrevo no dia dedicado à evocação de S. José, Dia do Pai e, este ano, dia da “entronização” do Papa Francisco, eleito há menos de uma semana. Da homilia proferida pelo novo Papa, durante a eucaristia celebrada esta manhã, ressalvo duas frases que me tocaram profundamente:
“(…) O verdadeiro poder é o serviço, e [para o exercer, devemos] entrar sempre mais, naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve[mos] olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé (…)”.
“Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! Para nós cristãos, a esperança que levamos, tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo…”
Parece não haver glória sem martírio. E esse desafio é uma provocação pessoal, permanente: “Simão, tu amas-me?...”.
Parece não haver resgate sem entrega. Parece não haver Vida sem dor, a dor do parto, a dor da criatividade. Por isso a cruz é “escândalo”, como explica S. Paulo. Mas é também um “vértice luminoso” do triângulo que nos une ao Pai. E, do alto da cruz, no calvário, essa luz rompe as nuvens da escuridão, no horizonte que nos foi aberto em Cristo. São palavras que remetem para a ferida aberta, no peito de Jesus, pela lança do soldado romano, de onde saiu a água e o sangue, que são como primícias do batismo, da comunhão, sacramentos da plena e derradeira reconciliação.