Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

vive em mim

já não sou eu que vivo

vive em mim

já não sou eu que vivo

Um Vértice Luminoso

Escrevo no dia dedicado à evocação de S. José, Dia do Pai e, este ano, dia da “entronização” do Papa Francisco, eleito há menos de uma semana. Da homilia proferida pelo novo Papa, durante a eucaristia celebrada esta manhã, ressalvo duas frases que me tocaram profundamente:

“(…) O verdadeiro poder é o serviço, e [para o exercer, devemos] entrar sempre mais, naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve[mos] olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé (…)”.

“Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! Para nós cristãos, a esperança que levamos, tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo…”

Parece não haver glória sem martírio. E esse desafio é uma provocação pessoal, permanente: “Simão, tu amas-me?...”.

Parece não haver resgate sem entrega. Parece não haver Vida sem dor, a dor do parto, a dor da criatividade. Por isso a cruz é “escândalo”, como explica S. Paulo. Mas é também um “vértice luminoso” do triângulo que nos une ao Pai. E, do alto da cruz, no calvário, essa luz rompe as nuvens da escuridão, no horizonte que nos foi aberto em Cristo. São palavras que remetem para a ferida aberta, no peito de Jesus, pela lança do soldado romano, de onde saiu a água e o sangue, que são como primícias do batismo, da comunhão, sacramentos da plena e derradeira reconciliação.

É a hora da Páscoa

“É a hora da Páscoa”, leio no texto introdutório para a liturgia do dia de hoje. E esta frase ressoou dentro de mim, num estremeção de conforto e de súplica. Nenhum sofrimento é vão ou sem sentido se conhecermos a palavra “entrega”.

Ontem, o sofrimento visitou-me, rasgou o meu coração, como que me dilacerou por dentro. Por segundos, eu não consegui perceber o que se estava a passar comigo. Não percebia o que estava ouvir, o que estava a dizer. A presença da pessoa que me interpelava aparecia-me como um acontecimento insólito, despropositado, sem sentido. Bloqueado, vi-me incapaz de um raciocínio lógico. Seguiram-se minutos de angústia, num esforço de recomposição difícil que, na verdade, dura até esta hora. Este mesmo exercício aspira à reconciliação com o meu mundo de Sentido, o meu mundo de afeto, de vivência e de sobrevivência.

É a hora da páscoa. A hora da entrega. A hora da passagem pelo sofrimento, tendo nos olhos e no coração a glória da ressurreição da reconciliação com o Pai que, de longe, corre para nós de braços estendidos para nos abraçar.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.