Irrelevância
“Não existe nenhuma forma fácil de seguir a Cristo”, escreve Nouwen (2007: 19), afinal é próprio Jesus quem avisa, “Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida…” (Mateus 7, 14 citado por Nouwen no mesmo contexto). Estas palavras foram diretas ao meu coração, esta manhã, ao acordar, confinado ao mundo pequenino onde vivo. E não o digo apenas no plano físico, das fronteiras, do âmbito territorial, digo-o, talvez sobretudo (?) relativamente ao pensamento, à atividade intelectual à (não) participação em fóruns abertos ao pensamento, ao crescimento espiritual e intelectual.
Nunca foi fácil levar à prática ideias e pensamentos que se têm. Na pequenez deste meu mundo, algumas vezes mais confinado ainda pelas minhas próprias opções sociais e económicas, sou desafiado a servir. Depois, a liderar quando e se para tal for chamado. Mas ainda que não exerça qualquer tipo de liderança sobre pessoas ou grupos, posso, pelo menos liderar-me, deixar-me disciplinar. Quero então esclarecer-me, avaliar-me, estabelecer objetivos, por pouco ambiciosos que sejam.
Não haveria de surpreender-me tanto com a pequenez como não haveria de surpreender-me tanto com a irrelevância. São, de certo modo, opções minhas, opções qua abraço como alguém abraça uma cruz.