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vive em mim

já não sou eu que vivo

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já não sou eu que vivo

Retiro

Partir. Servir. Ser pobre. São desafios deste Tempo, de todos os tempos. Para mim o desafio é maior (?) porque me afastei dos espaços de referência, os espaços coletivos, institucionais. O meu sentimento hesita, nesta matéria. Digo que me afastei, na medida em que quero ser o primeiro responsável por uma tal situação; mas essa opção não ocorreu por acaso. Em certa medida, senti rejeição em qualquer desses espaços. Refiro-me à gestão pública e à igreja. Mas eu próprio experimentei o desconforto da rejeição, interiorizei-o e considerei-o como um sinal de que deveria afastar-me, como uma inspiração, um sussurro de Deus. Por fim, rejeitei o enfrentamento, rejeitei o combate fratricida, do poder pelo poder. Não. A minha realização pessoal, a resposta à vocação não depende da minha capacidade de derrotar, quem quer que seja, em termos pessoais. A resposta à minha busca incessante da vocação e consequente resposta não se fará por capricho pessoal, por puro voluntarismo. Como, provavelmente os argumentos inteletuais e o testemunho ético não são suficientes para que eu consiga integrar-me e/ou ser integrado, segui, até hoje (desde quando?) o caminho do retiro.

Desafio

“É importante reconhecer que (…) o nosso desejo de nos evidenciarmos – tem muito a ver com a nossa procura de identidade. (…) Quem sou eu, se ninguém me presta atenção, me reconhece ou agradece o meu trabalho? Quanto mais inseguros, hesitantes, e solitários formos, maior será a nossa necessidade de popularidade e apreço.” (Nouwen 2007: 53). Esta passagem do livro O Esvaziamento de Cristo de Henri Nouwen (2007), relaciona-se estreitamente com a que se refere à busca da vocação: “A tentação da influência pessoal é difícil de sacudir visto que habitualmente não é considerada uma tentação mas uma chamada.” (Nouwen 2007: 46). A busca da Identidade e a perceção da Vocação estão intimamente ligadas. São a procura de um “sentido” para a vida (se o meu papel não é relevante, se não tenho um contributo para dar, então, o que ando “aqui” a fazer?...) Corresponde também à necessidade básica de ser amado e apreciado.

Para quem busca um estilo de vida “pobre” toda a insuficiência é um desafio. Ora estamos mais perto do ideal evangélico do viver do essencial, ora da angústia da necessidade, seja de amor, apreciação ou relevância. Um desafio.

Insuficiência

Hoje sou interpelado pelo sentido da insuficiência (scarcity), enquanto ouço o Evangelho do dia. Havia uma grande multidão e apenas cinco pães e dois peixes. Assim me sinto por estes dias, esmagado pelas responsabilidades, confuso, física, emocional e psicológicamente incompetente para resolver os desafios deste tempo, deste lugar.

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