Serviço
Por estes meses de primavera, quaresma e semana maior, coincidindo com a celebração do meu aniversário, revisito essa quinta-feira santa em Ayamonte, quando me senti impelido a aceitar o convite do sacerdote para cumprir o rito do lava-pés. Vinte e poucos anos antes, creio que em 1983, eu também o havia feito, na Serra do Pilar, no termo do meu caminho catecumenal, naquela comunidade.
Apesar de repetido, por três décadas, apesar de todas as leituras, talvez eu jamais tenha realmente compreendido, em termos práticos, a profundidade desse gesto, as suas consequências.
Hoje, ao refletir no evangelho de Marcos (9, 30-37) - aquele que quiser ser o primeiro... - percebi que este não é um caminho conhecido por muitos. Os poucos que ousaram segui-lo ou o seguem, vão como "sozinhos" na sua singularidade, perplexos perante os desafios, sempre novos, que se vão desvendando.
Admitindo que o meu pai saiu ontem de mais uma das suas temporadas no hospital; aceitando humildemente o quanto esses períodos de ameaçadora incerteza desestruturam a minha precária organização emocional, vou disposto a descobrir o que é servir, na ótica do meu Senhor e no concreto de um dia comum. Percebo que, por ser novo, por ser diferente, serei tentado, mais exposto. Há que recorrer ao que Nouwen escreveu sobre o assunto e que tão bem conheço, identificando os meus medos, fugindo da tentação de responsabilizar terceiros.