Uma Ação de Graças Permanente
[Escrito para, e lido na celebração da Vida de Carlos Reis, realizada na aldeia de Fiolhal, Carrazeda de Ansiães, a 9 de dezembro de 2023]
Os momentos mais significativos que passei com o Carlos [Reis], aconteceram “em viagem”. Nos anos de 1979/80 o Carlos vivia em Francelos e passava por Vilar de Paraíso, onde eu residia, para me levar à Serra do Pilar, nos dias da semana em que, depois do jantar, tínhamos catecumenato ou encontro de oração.
Na minha busca juvenil, ainda que já universitário, eu encontrara na espiritualidade de Taizé a minha referência orante e, por isso, tinha criado, em minha casa, um “cantinho de oração”. Sentado no chão, ou de algum modo ajoelhado, eu procurava, quando podia, serenar a minha agitação quotidiana, lendo uma passagem bíblica ou mais simplesmente ficando em silêncio, diante de um ícone e de uma vela acesa.
Numa das tais “viagens”, que eram na ida e na volta, de intensa partilha, eu abordei agitadamente a questão da oração, da sua importância, para mim; das respostas que buscava nessa “disciplina” mais ou menos regular. O Carlos ouvia-me pacientemente, como era seu timbre e quando lhe tocou falar, disse-me, calma e pausadamente, qualquer coisa como isto: “Sabes, não sinto essa necessidade. Na verdade, eu estou sempre em oração. Vivo numa ação de graças permanente!...”